A produção de um fertilizante marinho feito com algas calcárias começou a ser testada na costa do Piauí, marcando a aplicação local de biotecnologia no setor agrícola. Este produto está sendo desenvolvido pela multinacional Oceana Minerals, que iniciou a operação experimental no domingo (19) no Porto Piauí, em Luís Correia. Essa iniciativa destaca a importância estratégica do estado no avanço da agricultura sustentável no Brasil.
Esta fase representa a primeira atividade comercial do terminal portuário, que está se consolidando como um polo logístico crucial para os setores agrícola e mineral do Nordeste. O fertilizante será comercializado no mercado do Matopiba, uma das mais promissoras fronteiras agrícolas do país, abrangendo partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e também será destinado à exportação internacional, atendendo à crescente demanda por bioinsumos naturais.
A matéria-prima utilizada na fabricação é a alga vermelha Lithothamnium, rica em cálcio, magnésio e outros elementos benéficos para a agricultura. Classificado como um bioestimulante natural, o produto apresenta nutrientes altamente solúveis e biodisponíveis, essenciais para o desenvolvimento saudável das culturas. Seu uso contínuo evidencia impactos positivos em termos de produtividade e qualidade das colheitas.
Biofertilizante que promove a saúde do solo e maximiza a produtividade
Os principais benefícios do fertilizante marinho incluem o fortalecimento do sistema radicular, aumento da resistência a pragas e estresses climáticos, e a melhoria da estrutura e fertilidade do solo. Esses efeitos resultam em um crescimento mais robusto das plantas e colheitas de maior rendimento e qualidade, especialmente em regiões tropicais e solos desbalanceados, como o Matopiba.
Outra característica importante é sua capacidade de , comuns na região. Isso torna o solo apto a absorver nutrientes, criando um ambiente equilibrado para o crescimento das plantas. Além disso, o biofertilizante regula a microbiota do solo, promovendo a atividade de microrganismos benéficos.
Estudos de campo realizados pela Oceana Minerals, em colaboração com instituições de pesquisa, mostram aumentos médios de mais de 5 sacas por hectare em soja e 7 sacas por hectare em milho. Esses resultados confirmam a eficácia do produto e seu potencial para substituir fertilizantes químicos de maneira gradual, promovendo uma agricultura mais limpa e eficaz.
Condições únicas para a formação da alga calcária
A jazida submersa utilizada pela Oceana Minerals está situada na Plataforma Continental do Maranhão, próxima à cidade de Tutóia. Com uma área de concessão de 11 mil hectares, o local apresenta condições ambientais excepcionais, como alta salinidade, intensa incidência solar e correntes marítimas contínuas. Esses fatores são cruciais para o crescimento de algas calcárias com alta pureza e reatividade.
Durante seu crescimento, o Lithothamnium passa por um processo natural de calcificação. Uma vez solto do fundo do mar, é capturado por dragagem controlada, sem manipulação manual, e levado para processamento e secagem. Essa técnica é considerada de baixa interferência ambiental, com impacto quase nulo, segundo a empresa.
A localização da extração, a cerca de seis horas de navegação da costa maranhense, garante um ambiente marinho preservado e livre de poluentes. Essa localização estratégica contribui para a manutenção da qualidade química da biomassa e reduz os riscos de contaminação, com um depósito estimado de 600 milhões de toneladas, um dos maiores do mundo.
Certificações, sustentabilidade e aproveitamento agrícola
A qualidade agronômica do Lithothamnium é reconhecida mundialmente. Vários estudos sugerem que, em determinadas culturas e condições de solo, o uso contínuo deste biofertilizante pode aumentar a produtividade em até 50%, tornando-o uma alternativa altamente atrativa em comparação aos fertilizantes químicos tradicionais, além de contribuir para a sustentabilidade da agricultura.
A Oceana Minerals mantém um processo industrial que preserva as características naturais da alga, garantindo a manutenção de suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Isso assegura eficiência, estabilidade e resultados consistentes na agricultura. Outro diferencial importante é a rastreabilidade e controle de qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva, do mar ao campo.
Todos os produtos da empresa possuem certificação orgânica concedida pelo Instituto Biodinâmico (IBD), válida tanto no Brasil como em mercados internacionais. Além da aplicação na agricultura, o Lithothamnium é utilizado em suplementos nutricionais para animais e no tratamento de águas, ampliando suas aplicações comerciais e sua contribuição para diferentes setores econômicos.
Expansão estratégica da Oceana Minerals e impacto regional
A Oceana Minerals foi fundada em 2006 e iniciou suas operações industriais em 2013, após garantir todas as certificações necessárias para exploração e comercialização. Desde então, investiu mais de R$ 100 milhões em infraestrutura, incluindo a planta industrial em Tutóia (MA) e embarcações próprias para transporte e extração da biomassa marinha.
Atualmente, aproximadamente 60% do faturamento da empresa provém do setor agrícola, com foco nas culturas de soja, café e hortifrúti. Os outros 40% são provenientes da nutrição animal, especialmente na formulação de suplementos para ruminantes. Essa diversificação tem sido fundamental para o crescimento contínuo da companhia.
Com sede em Jundiaí (SP), a Oceana está presente em mais de 80 países, oferecendo soluções sustentáveis para diversos mercados. A nova unidade no litoral do Piauí amplia o corredor logístico de bioinsumos marinhos no Nordeste brasileiro, reforçando a vocação da região para inovação e sustentabilidade na agricultura.
Parceria com o Governo do Piauí e perspectivas futuras
A operação no Porto Piauí ganhou destaque com a visita oficial do governador Rafael Fonteles após o início dos testes. “Esta é a primeira operação comercial teste realizada no Porto do Piauí. Além da descarga deste produto, que nosso litoral possui em abundância, também teremos o processamento, resultante da parceria com a Oceana, uma multinacional que atua em oitenta países”, afirmou o governador.
A presença do governo estadual demonstra apoio à expansão de projetos inovadores e sustentáveis no estado. O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo, destacou que a empresa será responsável por ocupar o primeiro terminal do porto e construir uma fábrica própria no local, fundamental para a criação de empregos e o fortalecimento da economia local.




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