O que é o IGP-M e como calcular o índice em 2025?

O IGP-M é um índice de inflação calculado mensalmente que reflete a variação de preços no atacado, no varejo e na construção civil, sendo utilizado principalmente para reajustes de contratos

O que é o IGP-M e como calcular o índice em 2025?

O IGP-M, sigla para Índice Geral de Preços – Mercado, é um dos principais índices econômicos utilizados no Brasil para medir a inflação. Ele foi desenvolvido para oferecer uma visão ampla da variação de preços que ocorrem em diferentes setores da economia. Sua relevância prática é significativa porque o IGP-M serve como base de correção em contratos diversos, incluindo locações imobiliárias, serviços, planos educacionais e até contratos corporativos de fornecimento.

O cálculo do IGP-M envolve uma metodologia composta por três subíndices que juntos representam variações de preços em várias etapas da economia. O índice é calculado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas, e seu valor acumulado é amplamente acompanhado por agentes econômicos, investidores, empresas e consumidores.

A seguir, vamos detalhar de forma objetiva e clara o que compõe o IGP-M, como ele é calculado, quais os fatores que mais influenciam sua variação e como ele se comporta no cenário econômico de 2025.

Compreendendo o conceito de IGP-M

O IGP-M foi criado para medir a evolução dos preços de uma cesta ampla de bens e serviços, incluindo matérias-primas, produtos industriais, bens de consumo e custos da construção civil. Ao contrário do IPCA, que reflete a inflação percebida pelo consumidor final, o IGP-M também considera etapas anteriores da cadeia produtiva.

O índice é especialmente sensível a fatores como o dólar, os preços das commodities agrícolas e industriais e os custos do setor de construção. Essa característica torna o IGP-M um termômetro mais dinâmico, porém mais volátil, comparado a outros indicadores de inflação.

Ele passou a ser utilizado como referência para reajuste de contratos na década de 1990, especialmente em um período de alta inflação, quando era necessário um índice que refletisse melhor as pressões inflacionárias em setores além do consumo direto.

Estrutura e composição do IGP-M

A estrutura do IGP-M é formada por três componentes distintos, cada um com peso específico no cálculo final do índice. Essa composição reflete a ideia de capturar a inflação desde a produção até o consumidor final e também inclui o setor da construção civil.

As três partes que compõem o IGP-M são:

IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo)
Esse componente representa sessenta por cento do total do índice. Ele mede a variação de preços no atacado, ou seja, os preços recebidos pelos produtores, incluindo produtos agropecuários e industriais. O IPA-M é o principal responsável pela oscilação do IGP-M, já que é fortemente afetado pelas flutuações nos preços das commodities e nas taxas de câmbio.

IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor)
Com peso de trinta por cento, esse índice mede a inflação no varejo, ou seja, os preços pagos diretamente pelos consumidores em áreas como alimentação, saúde, transporte e educação. É o componente que mais se assemelha ao IPCA, pois observa os gastos das famílias em seu cotidiano.

INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção)
Responsável por dez por cento da composição total do IGP-M, esse índice mede a variação dos custos de materiais, mão de obra e serviços da construção civil. Ele é muito utilizado por empresas do setor imobiliário e construtoras para atualizar contratos e planejamentos orçamentários.

Como calcular o IGP-M: metodologia e periodicidade

O cálculo do IGP-M é feito com base na média ponderada dos três subíndices mencionados anteriormente. Cada um desses componentes é medido com base em pesquisas de preços coletados em diferentes regiões do país e em datas específicas de apuração.

A fórmula básica do IGP-M é a seguinte:

IGP-M = (IPA-M x 0,60) + (IPC-M x 0,30) + (INCC-M x 0,10)

Cada subíndice tem seu próprio calendário de coleta e divulgação, mas o IGP-M é sempre divulgado no final de cada mês. A apuração considera o período do dia vinte e um do mês anterior ao dia vinte do mês de referência.

Para calcular o valor acumulado do IGP-M em doze meses, soma-se a variação percentual de cada mês consecutivo ao longo do período. Essa variação acumulada é utilizada na prática para atualizar contratos anuais, como os de aluguel.

Por que o IGP-M oscila mais que outros índices de inflação?

A característica mais marcante do IGP-M é sua sensibilidade às mudanças no ambiente macroeconômico. Isso ocorre porque grande parte do índice é composta pelo IPA-M, que reflete o comportamento dos preços no atacado, e esses preços estão diretamente ligados ao câmbio, exportações, variação do petróleo e clima agrícola.

Dessa forma, mesmo que os preços ao consumidor estejam relativamente estáveis, o IGP-M pode apresentar fortes altas ou quedas, dependendo de fatores externos. Foi exatamente esse comportamento que, em alguns momentos, resultou em variações expressivas, tanto positivas quanto negativas.

Enquanto o IPCA tende a manter-se dentro de metas inflacionárias, o IGP-M acompanha com mais intensidade as flutuações do mercado, o que pode gerar distorções em contratos se não houver cláusulas de flexibilização ou revisão.

O papel do IGP-M em contratos e reajustes

Historicamente, o IGP-M se consolidou como o índice mais utilizado para o reajuste de contratos de aluguel e serviços privados. Essa preferência se deu por sua divulgação consistente, pela credibilidade da instituição responsável e por sua representatividade em diversos setores da economia.

Contudo, seu uso vem sendo revisado desde o período de inflação atípica ocorrida entre 2020 e 2022. Naquele momento, as altas variações do índice causaram insegurança jurídica, renegociações e questionamentos judiciais.

Atualmente, o mercado imobiliário ainda reconhece o IGP-M como um índice relevante, mas a decisão de utilizá-lo ou substituí-lo por outros indicadores mais estáveis, como o IPCA, passou a considerar o perfil do contrato, a capacidade de pagamento do inquilino e a expectativa de manutenção da relação contratual.

Variações do IGP-M em 2025 e tendências futuras

Em 2025, o comportamento do IGP-M reflete um ambiente econômico mais moderado. Após um período de quedas mensais no ano anterior, o índice iniciou uma trajetória de recuperação, mas sem os extremos de volatilidade vistos em anos anteriores.

Com o dólar sob controle e os preços internacionais de commodities estáveis, o IPA-M apresentou variações contidas, o que contribuiu para um IGP-M menos imprevisível. O IPC-M seguiu acompanhando o consumo interno com oscilações suaves, e o INCC-M manteve sua função de medidor do custo da construção, com aumentos pontuais ligados à mão de obra e materiais específicos.

Para o futuro próximo, a expectativa é de que o IGP-M continue sendo uma ferramenta útil, principalmente em contratos do setor industrial e acordos corporativos, mas com uso mais criterioso em contratos residenciais ou com consumidores finais.

Considerações finais sobre o uso e cálculo do IGP-M

O IGP-M continua sendo um importante indicador para a economia brasileira. Seu cálculo detalhado e sua abrangência permitem uma visão mais completa da inflação em diferentes estágios da cadeia produtiva.

Entender como o índice é formado, o que influencia suas variações e como aplicá-lo corretamente em contratos é essencial para empresas, investidores e pessoas físicas que buscam proteção contra perdas inflacionárias ou que pretendem garantir atualizações justas e proporcionais em suas negociações.

Em 2025, o uso do IGP-M requer uma análise técnica mais cuidadosa, considerando sua natureza mais volátil e os objetivos contratuais de longo prazo. Conhecer sua composição e metodologia permite decisões mais conscientes, alinhadas às condições do mercado e às necessidades de cada tipo de contrato.

O cálculo do IGP-M pode parecer complexo em um primeiro momento, mas, ao entender sua estrutura, fica evidente sua importância para a economia nacional e para a proteção do valor real de contratos e ativos.