O que provoca pterígio no olho?

O pterígio é uma alteração ocular caracterizada pelo crescimento anormal de um tecido fibrovascular sobre a superfície do olho, geralmente se estendendo da conjuntiva em direção à córnea. Embora seja frequentemente confundido com “carne crescida”, o pterígio é uma condição benigna, mas pode causar desconforto estético, sintomas visuais e até comprometer a visão em casos avançados.

O que provoca pterígio no olho?

Para esclarecer com profundidade o que realmente provoca o pterígio, suas causas, fatores de risco e formas de prevenção, conversamos com o Dr. Aron, oftalmologista com ampla experiência clínica e cirúrgica, que atende na Clínica Vizon. Este artigo explora em detalhes como essa condição se desenvolve, por que ela é mais comum em determinadas regiões e como proteger seus olhos de forma eficaz.

O que é pterígio e como ele se forma

O pterígio é o resultado de uma proliferação de tecido conjuntival que cresce sobre a córnea em direção ao centro do olho. Ele se forma geralmente no lado nasal do olho, próximo ao canto interno, mas pode ocorrer também no lado temporal. A aparência típica é a de uma membrana triangular esbranquiçada ou rosada que avança sobre a parte transparente do olho.

Esse tecido possui vasos sanguíneos visíveis e é composto por células inflamatórias, fibroblastos e matriz extracelular. Quando o crescimento atinge a região central da córnea, pode causar irregularidades ópticas e interferir diretamente na visão.

Principais causas do pterígio

A causa exata do pterígio ainda não é completamente compreendida, mas há consenso entre os especialistas de que o desenvolvimento está associado a um conjunto de fatores ambientais, genéticos e comportamentais. Os mais relevantes são:

Exposição excessiva ao sol

A radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco para o surgimento do pterígio. A luz solar provoca alterações celulares na superfície ocular, como mutações e reações inflamatórias crônicas, que favorecem a proliferação do tecido conjuntival.

Populações que vivem em regiões equatoriais ou tropicais, com alta incidência de raios UV, apresentam taxas significativamente maiores da doença. O efeito acumulativo da exposição ao sol ao longo dos anos acelera o desenvolvimento da condição.

Irritação crônica

Ambientes com muita poeira, fumaça, vento, poluição e baixa umidade também favorecem o surgimento do pterígio. Esses elementos causam agressões repetidas à superfície do olho, levando à inflamação da conjuntiva e estimulando a produção de tecido fibroso.

Pessoas que trabalham ao ar livre, em áreas rurais, praias, canteiros de obras ou zonas industriais são especialmente suscetíveis. O uso de lentes de contato mal adaptadas, que causam atrito constante, também pode contribuir para esse tipo de inflamação crônica.

Fatores genéticos

Estudos sugerem que há uma predisposição genética para o desenvolvimento de pterígio. Pessoas com histórico familiar da doença têm maior chance de manifestá-la, especialmente quando expostas aos fatores ambientais agravantes.

O pterígio ocorre com maior frequência em indivíduos de pele clara, olhos castanhos claros ou verdes, e que apresentam maior sensibilidade à luz. Isso indica que características genéticas associadas à resposta inflamatória e à sensibilidade ocular também estão envolvidas.

Alterações na película lacrimal

A deficiência na produção de lágrimas ou o desequilíbrio na qualidade da lágrima pode favorecer o surgimento de pterígio. A falta de lubrificação adequada facilita a agressão da superfície ocular por agentes externos e reduz a capacidade de proteção do epitélio conjuntival.

Pacientes com síndrome do olho seco, disfunção das glândulas de Meibômio ou doenças autoimunes que afetam a lágrima estão mais propensos a desenvolver alterações na conjuntiva e, consequentemente, pterígio.

Inflamações e microtraumas repetitivos

Conjuntivites alérgicas, bacterianas ou virais de repetição, associadas ao ato frequente de coçar os olhos, contribuem para o estímulo celular e inflamatório que favorece o crescimento do pterígio. O atrito constante compromete a integridade da superfície ocular e aumenta a vulnerabilidade ao desenvolvimento da lesão.

Quem tem maior risco de desenvolver pterígio

O pterígio pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em adultos entre 20 e 50 anos. Veja abaixo os grupos mais expostos ao risco:

Pessoas que moram em regiões com alto índice de radiação solar

Trabalhadores expostos ao ar livre, como pescadores, agricultores, pedreiros e motoristas

Indivíduos com histórico familiar de pterígio

Pessoas com olhos claros e sensibilidade à luz intensa

Pacientes com doenças oculares inflamatórias de repetição

Usuários de lentes de contato sem acompanhamento adequado

Pessoas expostas a poluição intensa ou ambientes com baixa umidade

Sintomas mais comuns do pterígio

Nem sempre o pterígio causa sintomas em seus estágios iniciais, mas à medida que avança, os seguintes sinais podem aparecer:

Sensação de corpo estranho no olho

Coceira persistente ou ardência

Vermelhidão localizada, especialmente na parte interna do olho

Sensibilidade aumentada à luz (fotofobia)

Olho seco ou lacrimejamento excessivo

Visão embaçada nos casos mais avançados

Deformidade estética que pode afetar a autoestima do paciente

Quando o pterígio atinge a área óptica da córnea, pode causar astigmatismo irregular, dificultando a adaptação às lentes corretivas e comprometendo a acuidade visual.

O pterígio pode causar cegueira?

O pterígio em si não provoca cegueira, mas em estágios avançados ele pode sim afetar significativamente a visão. Quando a lesão invade a área central da córnea, altera sua curvatura e prejudica o foco da luz na retina, causando distorções visuais severas.

Além disso, um pterígio volumoso pode desencadear inflamações crônicas, desconforto constante e dificuldade para realizar atividades que exigem concentração visual, como dirigir ou ler. Por isso, o acompanhamento regular com oftalmologista é essencial para definir o momento ideal da intervenção.

Como prevenir o pterígio

A melhor forma de prevenir o pterígio é evitar os fatores de risco associados ao seu desenvolvimento. Algumas medidas simples podem fazer grande diferença na saúde ocular a longo prazo.

Utilize óculos de sol com proteção contra raios ultravioleta sempre que estiver exposto à luz solar direta

Use chapéus ou bonés com aba larga para ampliar a proteção do rosto e dos olhos

Evite ambientes com poeira, fumaça, vento intenso e produtos químicos voláteis

Hidrate bem os olhos com lágrimas artificiais se você trabalha em locais com ar-condicionado ou baixa umidade

Evite coçar os olhos de forma repetitiva

Não utilize colírios sem orientação médica

Realize consultas oftalmológicas periódicas, mesmo sem sintomas

Pessoas que trabalham ao ar livre devem redobrar os cuidados e, se possível, optar por óculos com lentes polarizadas para maior bloqueio da radiação UV

Tratamento do pterígio

O tratamento do pterígio depende do estágio da lesão, dos sintomas apresentados e da evolução clínica do quadro. As principais abordagens terapêuticas são:

Tratamento clínico

Nos estágios iniciais ou quando os sintomas são leves, o tratamento é feito com colírios lubrificantes e anti-inflamatórios prescritos por um oftalmologista. O objetivo é controlar a irritação, aliviar os sintomas e evitar o crescimento acelerado da lesão.

Também é recomendada a adoção de barreiras físicas como óculos de sol com proteção lateral, para reduzir a exposição à radiação UV e ao vento.

Cirurgia

A cirurgia é indicada quando o pterígio:

Atinge a área óptica da córnea

Causa distorção visual significativa

Gera desconforto estético relevante

Apresenta recidivas frequentes mesmo após tratamento clínico

O procedimento consiste na retirada cuidadosa do tecido fibrovascular e, na maioria dos casos, na substituição da área removida por um enxerto de conjuntiva sadia, colado com pontos ou adesivos biológicos. Isso reduz o risco de recidiva e melhora o resultado estético.

A recuperação é geralmente rápida, mas requer cuidados com a exposição solar e uso de colírios por algumas semanas.

O pterígio pode voltar após a cirurgia?

Sim. Embora as técnicas modernas reduzam bastante o risco, o pterígio pode reaparecer, especialmente se os fatores de risco não forem controlados. As chances de recidiva aumentam quando o paciente continua exposto ao sol sem proteção ou negligencia o uso dos colírios no pós-operatório.

A taxa de recorrência pode variar entre 5 e 15 por cento, dependendo do método cirúrgico utilizado e da disciplina do paciente com os cuidados preventivos.

Diferença entre pterígio e pinguecula

É comum que pacientes confundam o pterígio com outra lesão semelhante chamada pinguecula. Embora ambos ocorram na conjuntiva, são condições distintas.

A pinguecula é uma pequena elevação amarelada localizada ao lado da córnea, mas que não avança sobre ela. Trata-se de um depósito de proteína ou gordura, geralmente assintomático e sem risco visual. Já o pterígio é invasivo, possui vasos sanguíneos e pode atingir a área óptica da córnea.

Ambos compartilham fatores de risco, como exposição solar e irritação crônica, e a prevenção é semelhante.

Conclusão

O pterígio é uma condição ocular benigna, mas potencialmente progressiva, que pode comprometer a qualidade visual e o conforto do paciente quando não tratada adequadamente. A principal causa está relacionada à exposição prolongada aos raios ultravioleta e a agentes irritantes ambientais.

O diagnóstico precoce e a adoção de medidas preventivas, como o uso regular de óculos de sol com proteção UV e colírios lubrificantes, são fundamentais para evitar o surgimento e a progressão da lesão.

Se você notou uma membrana crescendo na parte branca do olho ou está sentindo desconforto persistente, não ignore os sinais. Procure um oftalmologista e realize uma avaliação completa. A saúde dos seus olhos depende da sua atenção e cuidado contínuos.